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Senepol pelo “zap zap” - Grupo Koelpe

Senepol pelo “zap zap”

14-03-2018

O agropecuarista Erik Jan Petter, de Castro, nos Campos Gerais, é um descendente de holandeses que deixa para lá a fama de “quieto” do povo europeu, pois não deixa uma conversa sem assunto. Em meia hora, tempo gasto em sua caminhonete entre o centro do município e uma das propriedades na qual cria bovinos, ele consegue resumir com detalhes uma trajetória recheada de pioneirismo e inovação. Foi, por exemplo, um dos primeiros a criar bovinos da raça Senepol no Brasil, ainda nos anos 2000, além de um desbravador de variedades de pastagens com ciclos variados para a comercialização de sementes (segmento que hoje responde por 20% dos seus negócios).

Ele foi pioneiro também a fazer algo que foi se tornando cada vez mais comum com o passar dos anos. Desde a popularização do WhatsApp no Brasil (ou “zap zap”, como alguns se referem), a partir de 2009, ele usa constantemente a ferramenta para fechar vendas. “Hoje, em torno de 70% dos negócios são inteiramente conduzidos no aplicativo, mas eu diria que praticamente 100% têm pelo menos uma das fases nele, como o envio de fotos, vídeos, avaliações e outros materiais relacionados à vida dos animais”, revela. “Tenho muitos clientes que eu nunca tive contato presencialmente, apenas pela internet”, completa.

Erik tem 500 matrizes, com foco na venda de genética Senepol para melhoramento em propriedades de todo o Brasil. Já chegou a vender até para o Acre, mas hoje se concentra no Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste. O pecuarista trabalha com o sistema de integração lavoura-pecuária em talhões alternados dos 3,5 mil hectares nos quais cultiva soja, milho, feijão, trigo, pastagens, entre outros. O produtor também tem cerca de 800 hectares de pinus e eucalipto. No negócio com bovinos, consegue vender 50 touros por ano, com valores que vão de R$ 7 mil a R$ 12 mil cada. “O WhatsApp facilita em tudo, pois hoje o pecuarista é antenado, mas tem muito menos tempo do que antigamente para ir olhar presencialmente um animal. O que importa nesse ramo de negócios é a fidelização e a confiança”, sintetiza.

Antonio Cezar Lima dos Santos, pecuarista e empresário, é um dos clientes de Erik que fecha negócios pelo aplicativo há dois anos. Ele mora em São Paulo e tem fazendas em Registro e Iguape, no interior paulista. Até hoje, o comprador conta ter adquirido 200 doses de sêmen, 10 novilhas e dois touros. “E vou comprar mais, pois os animais estão demonstrando resultados satisfatórios, estou contente com as aquisições. Estou apenas esperando ele desmamar alguns bezerros, dos quais ele me mandou fotos, vídeos e outras informações, para fechar novos negócios”, prevê.

O empresário revela que nunca esteve pessoalmente com Erik, mas isso não o impede de indicar o criador castrense para outros amigos pecuaristas. “Na primeira vez falei para ele: ‘vou pagar à vista e só peço que você seja honesto comigo’. Desde então tivemos um pacto de confiança e não tive problemas. Isso facilita muito, pois se fosse antigamente teria que ir à fazenda dele. Para mim, como dono de uma metalúrgica com 100 funcionários em São Paulo, seria praticamente impossível”, diz.

Fora das porteiras

Essa não é uma tendência que se concretiza apenas entre pecuaristas. Luciana Pereira, vendedora da empresa Araucária Genética Bovina, sediada em Londrina, no Norte do Paraná, diz que 90% dos atendimentos que faz durante um dia normal de trabalho ocorrem pelo WhatsApp. “Eu como vendedora interna, e também meus colegas que viajam, todos usamos o aplicativo para fins comerciais o tempo todo. Hoje em dia, todo tipo de arquivos, como fotos, vídeos, provas e catálogos, eu tenho condição de encaminhar aos clientes de qualquer lugar do Brasil”, descreve.

A zootecnista Adriana Zaia Sanches, gerente na empresa CRV Lagoa, em Sertãozinho, no interior de São Paulo, confirma que a ferramenta tem sido muito útil no dia a dia da companhia. “Usamos o WhatsApp desde 2016 como ferramenta de relacionamento e troca de informações com nossa equipe. Hoje em dia, com toda comodidade e rapidez da comunicação via redes socais, é muito usual recebermos contato nesses meios solicitando informações de nossos produtos e serviços”, conta. Ela enfatiza que a empresa faz o envio de vídeos, fotos e informações dos produtos e serviços nas redes sociais, mas que por se tratarem de vendas técnicas, no caso deles, a maior parte delas é fechada de forma presencial.